Menino que queria comprar uma bicicleta hoje
possui uma das maiores revendas automotivas da GM.
Caxangá é um
sonho que virou realidade.
A Caxangá Veículos representa hoje uma das maiores
revendas automotivas da General Motors (GM). São mais de
duzentos carros vendidos mês.
Tudo isso começou com um sonho do menino pobre da cidade de Vicência,
que queria ter uma bicicleta. “Eu queria mesmo era comprar uma bicicleta,
mas acabei comprando um caminhão usado, por 145 contos de réis”,
conta o menino, que se chama Severino Nunes Pereira. Mas a luta pela vida desse
menino começa muito antes, mais precisamente aos doze anos, quando ele
perdeu a mãe, Isaura Cavalcanti de Albuquerque. “Se tivesse que
nascer novamente faria tudo do mesmo jeito, trabalhava duro e passava fome
de novo, mas não queria ver o sofrimento de minha mãe”,
relembra.
Com apenas doze anos, Severino, hoje carinhosamente chamado por “Seu
Biu”, assumiu a chefia da família, juntamente com o pai Manoel
Nunes Pereira. Para levar comida para os oito irmãos, comprava perus,
porcos e bodes nos sítios próximos à Vicência e
vendia o quilo da carne na feira da cidade. No dia de Finados, ele comprava
velas para vender no cemitério. E assim foi sustentando a família,
até que chegou o dia de realizar o sonho de comprar uma bicicleta. No
entanto, a responsabilidade com a família falou mais alto e ele acabou
por comprar um caminhão.
Com o caminhão nas mãos, o jovem de apenas 20 anos começou
a levar e trazer encomendas do Recife, mas o espírito de comerciante
falou mais alto. Logo nas primeiras viagens, vendeu o veículo por 250
contos e comprou outro por 700 contos. “Seu Dida maranhão, do
Engenho Vicência, foi meu avalista mas, com apenas quatro meses, ele
me comprou o caminhão por 900 contos”. Com dinheiro no bolso,
Severino Nunes foi à cidade de Paudalho e comprou outro caminhão,
a 830 contos de réis, com os quais comprou combustível para vender.
E assim iniciou seu negócio, comprando e vendendo combustível
e carros.
A chegada de Recife aconteceu em 1968, quando resolveu abrir uma pequena loja
com espaço para apenas três veículos na Caxangá.
Naquela época, Severino Nunes foi motivo de zombaria de muitos comerciantes
que eram acostumados a vender carros na Rua do Imperador e na Conde da Boa
Vista. “Como um matuto vem abrir uma loja aqui na Caxangá”,
riam os comerciantes. Hoje a avenida Caxangá possui mais de cem lojas
de veículos.
Apesar das piadas, “Seu Biu” sabia que todos os matutos, com ele,
que vinham dos interior, tinham que passar na Caxangá antes de chegar
ao centro da cidade. E foi assim que dois anos depois ele chegou a vender,
em apenas um mês, 1.022 carros. E olha que os veículos eram comprados
fiados por Severino Nunes. “Eu ainda não tinha uma concessão,
pegava todos os carros para pagar com 8, 15, 30 dias. A maioria dos veículos
comprava a Armando da Fonte, o maior vendedor e amigo que já conheci”,
explica. Apesar de comprar sem pagar a vista, um dos grandes orgulhos de Severino é nunca
ter atrasado um pagamento. “Nunca pedi para adiar em cheque meu”,
diz orgulhoso.
A concessão da GM veio em 1971, quando dois homens que se diziam compradores
procuraram o já empresário na loja da Iputinga (Caxangá)
e ofereceram uma concessão em Caruaru. “Eu vi logo que eles não
eram compradores. Aqueles homenzarrões galegos e de fala diferente...
Eu aceitei a concessão em Caruaru, mas para vender aqui no Recife, onde
construí minha clientela”, conta Severino. Um desses homenzarrões
citado por Severino é o ex-vice-presidente da GM Brasil. Em sua festa
despedida da empresa, Severino perguntou-lhe se havia se arrependido de ter
feito negócio com ele que então respondeu: “Severino, se
todo mundo fosse igual a você, nós viveríamos num mundo
sério”.
Hoje, esse senhor de 76 anos passou o comando das empresas para seus filhos
- quase todos os 18 estão no ramo de automóveis – mas faz
questão de diariamente ir a Caxangá Veículos verificar
como estão as vendas e dar valiosas orientações de como
proceder com o mercado que conhece muito bem, há 56 anos.
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